
Esta é uma crônica peculiar, para dizer o mínimo. Em primeiro lugar, porque quem a escreve nunca foi cronista – e nem pretende ser. Sempre foi poeta, amante da poesia e muito pouco “chegada” a crônicas.
Então, quando fui tomada pela inspiração de registrar esta história de amor tão especial em forma de crônica, a primeira coisa que fiz - humilde e inteligentemente -, foi buscar no dicionário o significado do que seja uma. Seguem transcritos abaixo alguns dos significados retirados do Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa que “caem como uma luva” para definir esta Crônica de um amor para a vida toda:
Crônica: 1. Narração histórica, ou registro de fatos comuns, feitos por ordem cronológica. 2. Pequeno conto de enredo indeterminado. 3.Texto jornalístico redigido de forma livre e pessoal, e que tem como temas fatos ou idéias da atualidade (...), ou simplesmente relativos à vida cotidiana. 4. O conjunto das notícias ou rumores relativos a determinados assuntos:
“É inacreditável a crônica dos conchavos ocorridos naquele distante município”. 5. Biografia, em geral escandalosa, de uma pessoa:
“Sua crônica é bem conhecida”.
Bem, primeiro é importante explicar porque sempre preferi a poesia à crônica. Um dos motivos principais é a preguiça em expressar sentimentos e coisas que considero essenciais em muitas palavras, parágrafos, vírgulas e reticências. Nada contra a crônica; só que ela utiliza de recursos lingüísticos, gramaticais e de tempo e paciência demais para o meu gosto.
A poesia não. Sua natureza é de síntese, seu modo de expressar-se é metafórico, sua forma e estrutura são “redondas”: começam e terminam em si mesmas, o que para mim sempre foi uma fonte grande de prazer.
Mas como esta história de amor sobreviveu a muitas palavras (ditas e não ditas), a muitas vírgulas, reticências, recursos lingüísticos, paciência e, principalmente, ao tempo – trinta e quatro anos para ser mais exata -, não vejo como possa ser registrada com a fidelidade que merece de outra forma.
A crônica é esta interminável explicação das coisas e dos sentimentos que você corajosamente começa a encarar enquanto lê este texto. Demanda uma atenção aos detalhes da qual realmente padeço a falta, mas que, tomada por uma incrível sensação de estar sendo privilegiada entre milhões de mortais por ter acreditado no amor – e mais especificamente na verdade do meu primeiro amor -, penso ser capaz agora de superar.
Então vamos começar logo esta narrativa, que já está me dando nos nervos tanta explicação. Esta história de amor, como vocês verão adiante (paciência!), coloca para quem a viveu, para quem a testemunhou e até para quem nunca ouviu falar dela, algumas questões humanas fundamentais:
Primeira questão: Não existe uma idade “certa” ou um “coeficiente mínimo” de maturidade para que as pessoas possam vive-lo: os protagonistas desta história tinham respectivamente 18 (ele) e 13 (ela - eu) quando seus olhares se cruzaram pela primeira vez e nunca mais se desataram; e 52
(ele) e 47 (ela – eu) quando se reencontraram. Então esqueça todas essas idéias equivocadas de que você não está preparado ou que seu tempo para viver um grande amor já passou. Estas idéias têm como objetivos primeiro fazer com que você se torne medroso e não confie nos seus sentimentos e, depois, contente-se com relacionamentos “meia-boca”, que deixam seu coração sempre solitário.
Como os protagonistas deste “amor para a vida toda”, a maioria de nós acaba cedendo a todo tipo de pressão para desacreditar de seus próprios sentimentos. O que nos confunde muito é que esta pressão, muitas vezes, vem das pessoas que mais amamos. Não é que estas pessoas estejam nos amando menos quando fazem isso. Elas somente estão repetindo um processo de condicionamento que permitiram que fizessem com elas, e a esta altura, também já se tornaram medrosas e inseguras quanto aos próprios sentimentos. Mas como não percebem isto, pensam que estão fazendo “o melhor” para nós.
O que torna esta história em particular tão especial é que mesmo desacreditando, mesmo vivendo por três décadas relacionamentos “meia-boca” (não que fossem ruins, só não nos completavam totalmente), jamais desistimos um do outro. Mesmo vivendo uma solidão de alma que isolou a verdade dos nossos sentimentos em uma ilha particular dentro de cada um, nunca desistimos da idéia de viver este amor, nem que fosse em outra vida.
Em momentos de grande dor ou de grandes realizações pessoais, um sempre se lembrava do outro: “se estivesse com ele/ela, não me sentiria sozinho(a) assim, – ou -, se ele/ela estivesse aqui, essa vitória teria ainda mais significado”. E desse jeito torto, pudemos viver acompanhados um do outro, em nossos melhores e piores momentos.
Oswaldo Montenegro em sua música “Verde”, nos diz: “ilha é tudo aquilo que está vivo dentro de nós cercado por tudo que mataram”. Então, sempre que você não puder confiar nos seus sentimentos e nos seus sonhos, tenha o cuidado de guardar dentro de você uma ilha onde possa mantê-los vivos, verdes, respirando. E, principalmente, lutando contra o “mecanismo redutor de plenitude Tabajara”, que é um dos principais instrumentos utilizados pelo controle social sobre a individualidade.
A natureza deste instrumento é quase mágica, dificilmente nós podemos identificá-lo, mas todos nós já sentimos na pele os seus efeitos daninhos. O principal deles é nos tornar “facinhos, facinhos” de manobrar, para manter a “roda viva” - aquela cantada pelo Chico Buarque -, girando. Escutem bem o que estou dizendo meus amigos, e este talvez seja o maior tesouro e ensinamento que nossa história pode trazer: esta ilha poderá literalmente salvar a sua vida da falta de sentido e de significado, como salvou a nossa.
Isso nos leva à segunda questão humana fundamental: aquilo em que você acredita torna-se a sua realidade. É uma questão simples de causa e efeito, nada muito complicado de se entender, mas muito difícil de se viver, daí tantos best-seller sobre o assunto (realizando a crença de riqueza e poder de seus autores). De tanto acreditar neste reencontro, ele acabou acontecendo. Justiça seja feita, ele sempre foi mais fiel ao seu coração e aos seus sentimentos e nunca deixou de reafirmá-los em alto e bom som para quem quisesse (e não quisesse) ouvir. Isso o salvou da estranheza com que familiares e amigos costumam (amorosamente) reagir à “crônica escandalosa” de um reencontro assim tão difícil de acontecer.
“Ah... fala a verdade aí, vinte e um anos sem se ver? Vocês estavam se encontrando ás escondidas, pode falar, eu sou sua amiga (mãe, colega de trabalho, vizinha, etc.)”. E eu sei que é difícil mesmo para quem nunca viveu nada parecido, compreender e acreditar que foi exatamente assim que aconteceu. Isso me faz lembrar outra música do Oswaldo Montenegro, “O azul e o tempo”: “nada prá se acreditar, mas o tempo não manchou o azul... nada prá se acreditar, mas a fé tingiu o azul de anil...”. Esta é uma das mais bonitas definições de fé que eu já conheci, e como aquela outra, que diz que a fé é o passarinho que canta no mais escuro da madrugada porque intui a manhã que ainda não nasceu, assim se passaram estes vinte e um anos: com a lentidão que só a saudade é capaz de acompanhar, e com velocidade que só o reencontro pode imprimir. É como me disse uma vez um paciente que estava com depressão: um dia demora tanto a passar, e no entanto a vida passa tão rápido! Como é que pode?!
Terceira questão: O Amor tem formas próprias para registrar na memória cheiro, jeito de andar, de falar, de rir que escapam totalmente aos domínios do bom senso e da lógica. Por isso é possível que duas pessoas, como no nosso caso, possam ficar exatos vinte e um anos sem sequer ver um ao outro de longe, na rua, e que quando se reencontrem, eu possa reconhecê-lo de longe, contra a luz do sol (sem falar nos quatro graus de miopia), pelo jeito de andar.
Ah... meus amigos, só quem já viveu um momento desses pode saber o que eu estou falando... é simplesmente demais!! Nasce no centro do peito um calor tão forte e tão ameno ao mesmo tempo, que é difícil encontrar palavras para descrever. É um reconhecimento tão direto do verdadeiro endereço da casa da nossa alma que é impossível não acreditar nele.
Quarta questão: O Amor não está nem aí para a árvore genealógica dos amantes. Quem são seus pais, avós, quem foram os bisas e tataravós dele/dela – para o Amor esta é uma conversa de malucos. Tudo o que você e seu amor precisam para se encontrar é de sentir a magia da química do universo no eriçar da pele, no silêncio ensurdecedor dos olhares cruzados. Vai por mim: só depois de vivenciar isso é que você vai querer saber o nome da pessoa, onde ela mora, com quem ela vive, etc.
As únicas considerações neste âmbito para as quais se poderia abrir uma exceção, dizem respeito às vicissitudes de vidas passadas que envolvam a descendência dos amantes. Este assunto, no entanto, além de muito complexo e profundo, foge totalmente ao conhecimento desta cronista estreante. Mas de cara (e para resumir a prosa), se você acreditar em vidas passadas, você pode tomar como certo que todos que você conhece e que cruzam o seu caminho (especialmente o seu amor) já estiveram e estarão ligados a você de formas tão misteriosas que, de novo, para o Amor acontecer só precisará de um reconhecimento tácito e tão visceral e instintivo, que a descrição de sua árvore genealógica pouco acrescentará à riqueza do encontro. Se você não acreditar em reencarnação, aí mesmo, meu amigo (a) é que você pode esquecer a importância da sua descendência e a da pessoa amada: é correr para o abraço e ser feliz.
5ª. A escolaridade dos apaixonados é outro assunto de somenos interesse para o Amor. Para ele pouco importa se você já entendeu o resultado da equação do quadrado da hipotenusa sobre o seu vértice e se seu amor nem faz idéia do que seja isso. O Amor também não se interessa por escritas corretas da língua portuguesa ou verbos conjugados com precisão. Tudo o que importa para o Amor é: seus valores são semelhantes? Vocês podem comunicá-los, escrita ou verbalmente de forma que possam entender-se mutuamente? Eles possibilitarão que vocês façam escolhas de vida que os coloquem sintonizados com suas metas e missões de vida?
Já dizia alguém muito sábio que é mais fácil a Terra mudar o movimento de rotação que um filósofo agüentar uma dor de dente sem xingar e esbravejar. E como todas as histórias de amor são repletas também de episódios de dor de dente, dor de barriga, dor de cotovelo e afins, pouco ou nada nos vale nesses momentos menos, digamos, românticos da vida amorosa, estudos acadêmicos, diplomas e certificações.
6ª. A esta altura nem preciso dizer que o quanto cada família dos enamorados possui de bens materiais e de dinheiro é menos importante ainda para o Amor. A história da humanidade é cheia de exemplos sobre a capacidade que o Amor tem de ignorar barreiras sociais. Einstein está certo: é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. E a única força que até hoje provou ser capaz de desintegrar as mais diversas formas de preconceito é o Amor.
Só, pelo amor de Deus, esqueça aquelas histórias trágicas em que reis perdem reinos por desposarem escravas e plebéias e mulheres são atiradas à “rua da amargura” por amarem o “homem errado”. A ênfase que é dada a estas histórias serve também para nos tornar medrosos e desconfiados de tudo em nós que não corresponda às expectativas sociais sobre nossa conduta e nosso “lugar na sociedade”.
Os exemplos aos quais me refiro, e que são anônimos na sua maioria, estão cheias de histórias de obstáculos, mas também de superação, de alegria e da vivência ainda restrita a uns poucos privilegiados, da grande verdade da vida: “Nós somos todos um”. Estamos todos interligados, e nossos atos reverberam nas vidas uns dos outros como as cordas de um imenso alaúde que toca uma única melodia por bilhões de dedos espalhados por todo o planeta. A posição de cada um dos dedos e de cada mão no instrumento é importante para compor a melodia inteira.
Esta é uma compreensão profunda da vida que só o Amor pode nos dar. E quanto mais e maiores forem as diferenças aparentes com as quais temos que lidar, mais treinada fica nossa percepção e nosso entendimento. O duro é que por mais aparentes e criadas artificialmente que sejam estas diferenças sociais, elas são tratadas por nós como reais, essenciais e naturais. Elas não são naturais. Pergunte a tantos milhões de pessoas quantos forem necessários para você acreditar; pergunte a moradores de favelas e de condomínios luxuosos, aqui e em qualquer parte do planeta quais são seus maiores anseios, o que dá sentido às suas vidas. As respostas, embora possam vir embrulhadas em diferentes realidades culturais, educacionais e econômicas convergirão para a mesma direção: ser feliz, amar e ser amado, sentir-se importante e realizado, sentir-se pertencendo a grupos (famílias, amigos) que reconheçam seus valores e apóiem nos momentos difíceis. Da mesma forma, pergunte a estas “tão diferentes” pessoas quais são seus maiores medos e você ouvirá: medo de morrer, medo de ficar sozinho, medo de doença grave, medo de perder entes queridos.
Se você quiser ir um pouco mais longe, e por um terreno bem mais árido, faça uma pesquisa nos anais dos estudos epidemiológicos de diferentes países e culturas e você verá que as principais causas de adoecimento físico e emocional são as mesmas para nós aqui assim como para os chineses do outro lado do mundo. Só o que muda é o contexto e as formas como o adoecimento se expressa em cada lugar. Se nossos grandes sonhos, dilemas e desafios essenciais, se as fontes de nossa força e de nossa fragilidade são as mesmas, porque seguimos teimando em nos considerar tão diferentes assim uns dos outros?
É verdade também que somos únicos e inigualáveis em nossa forma individual de ser e de estar no mundo, mas na essência de todos nós está a mesma matéria-prima que nos define como espécie. A questão maior é ter a sabedoria para fazer as distinções de forma correta. Não é à toa que nos testes de inteligência a generalização é indicativo de inteligência mediana ou medíocre e a discriminação, um critério de inteligência “bem-dotada” (argh!). É porque discriminar é difícil mesmo. Generalizar como diria o senso comum, até papagaio pode aprender: os homens são todos iguais, as mulheres são todas iguais, rico é assim, pobre é assado, e por aí vai.
Isso tudo dito dessa maneira parece um amontoado de obviedades, mas pare um pouco para pensar o quanto essas idéias pouco inteligentes fazem parte do nosso cotidiano e dos preconceitos que norteiam nossas escolhas de vida. Há uma frase muito legal de um cientista social chamado Boaventura de Souza Santos e que fala sobre essa forma de sabedoria tão ausente em nossa organização social: “As pessoas e os grupos sociais têm o direito a ser iguais quando a diferença os inferioriza, e o direito a ser diferentes quando a igualdade os descaracteriza”. Só o Amor mesmo para dar conta de tarefa de tamanho vulto – e às vezes leva tempo – muito tempo, como foi o nosso caso.
Todos esses preconceitos (nível sócio-economico, de escolaridade, de religião e de raça) nos fizeram ceder às pressões quando ainda éramos jovens e imaturos demais. Há um texto, cujo autor não me lembro no momento, que descreve a situação de uma maneira muito sábia. Em síntese ele diz que o Amor sozinho não dá conta dos desafios que os casais enfrentam. Sem uma boa dose de outros tantos sentimentos e atitudes como a tolerância, a paciência, a empatia, amizade, o companheirismo, a lealdade, a confiança mútua, a flexibilidade, a capacidade de negociação, um casal pode ver seu grande amor naufragar de mastros arriados nos vendavais e mares bravios que também fazem parte da jornada de todos nós.
A maior lição de nossa “história de amor para a vida toda”, no entanto, é que ela é uma prova viva do quanto essas diferenças sociais e obstáculos são artificiais e ilusórios. Pois quando ela é retomada, trinta e quatro anos depois, as trajetórias de vida de ambos deixam claro o quanto nem ele era aquele jovem “sem futuro”, e nem eu era aquela “filhinha de papai” incapaz de superar grandes desafios: ele conseguiu constituir família, ficou casado por vinte e um anos, cresceu profissionalmente sem ter precisado colecionar diplomas e canudos; tornou-se um cidadão respeitado na pequena cidade onde vive, é um pai amoroso, presente, que tem conseguido proteger seus filhos dos perigos que são tantos para os jovens, com seu amor e com sua educação e cuidado esmerados.
Eu não consegui constituir família, nunca dei conta de me vincular seriamente a ninguém, e quando consegui chegar o mais próximo disso, vi minha vida financeira “desbarrancar” penhasco abaixo, e meu padrão de vida cair vertiginosamente (se isso não é “ironia do destino”, é no mínimo um detalhe interessante). Falida e endividada, ainda tive minha vida profissional virada de pernas para o ar e tive que repensar meus valores e ter a coragem de fazer escolhas que mudaram meu estilo de vida de uma forma tão radical, que de novo tive que enfrentar as pressões para desacreditar de meus sonhos e abrir mão de meu projeto de vida.
E foi bem no meio do olho desse furacão que nosso reencontro aconteceu. É incrível o quanto nossas almas sabem, em um cantinho escondido delas ao qual nós não temos acesso, o momento certo de ter a coragem para aqueles pequenos atos capazes de mudar os rumos da nossa vida: um telefonema só, um alô, um “oi, há quanto tempo” (vinte e um anos!) em um sábado de carnaval preguiçoso para quem não curte mais a festa, e cá estamos nós.
Digo que este foi o momento certo para este reencontro porque em qualquer outro momento anterior em que ele fosse tentado eu estaria tão afastada da minha alma, que nem consigo imaginar se teria coragem ou não para ser fiel aos meus sentimentos. Em qualquer outro momento em que ele acontecesse, eu estaria em picos do que eu equivocadamente chamava de sucesso profissional e conforto material. Não se trata de renegar tudo o que já vivi, mas de reconhecer que consegui transformar as adversidades em um meio para escolher viver de uma forma que nutre a minha alma, revigora meus valores e me faz sentir sentada no colo de Deus. E desse jeito fica muito fácil ser fiel aos próprios sentimentos.
Como toda crônica da vida real, esta também é um “pequeno conto de enredo indeterminado”, porque se há uma coisa que a vida tem de especial é a sua capacidade de nos surpreender. E por não ter começo nem fim e ser um ciclo eterno de começos, finais e recomeços, não há como (graças a Deus!) terminar esta crônica de um amor para a vida toda com um “...e foram felizes para sempre”, mas certamente é possível termina-la com um “...escolheram ser felizes nesta vida – com a consciência de que não há felicidade “dada”, mas conquistada; que não há amor que se eternize senão pela escolha diária em amar, aceitar e lidar construtivamente com as diferenças individuais (estas sim, são naturais), e com o que os budistas chamam de “Maya”: a ilusão da separação – uns dos outros e de Deus.”
Este é um presente de Dia dos Namorados para meu primeiro e meu último – eterno namorado. Com todo meu amor, Fátima.
Uberaba, junho de 2010



