
Uma frase para te falar
Desse sagrado
Tamanho - que eu não sei pronunciar.
Uma frase pequena, como eu me sinto
Diante desse profundo
O som mais perfeito do mundo.
Uma frase só
Sagrada,
Pequena,
Profunda,
Perfeita.
Uma frase só
falada em todas as línguas do mundo
só para voce:
Ahn doostaht doh-rahm (Irã)
Aloha i'a au Oe (Havaí)
Ana Behibak (Arábia)
Ani ohevet otcha (Palestina)
Asavakit (Groelândia)
Bahibak (Líbano)
Ch'ha di ga'rn (Suiça)
Chit pa de (Birmânia)
Eg elska thig (Islândia)
Eg elskar deg (Noruega)
Ek het jou liefe (África)
Em yeu anh (Vietnã)
Es milu tevi (Letônia)
Ha eh bak (Tunísia)
I mog di narrisch gern (Bavária)
Ich liebe dich (Alemanha)
Ik hou van jou (Holanda)
Jag alskar dig (Suécia)
ja tebe kokhaju (Ucrânia)
Jeg elsker dig (Dinamarca)
Khao raak thoe (Tailândia)
Kimi o ai shiteru (Japão)
Kocham cie (Polônia)
Kulo tresno (Java)
Mahal ka ta (Filipina)
Mujhe tumse muhabbat hai (Paquistão)
Ljubim te (Eslovênia)
Lubim tas (Eslováquia)
Mahn doostaht doh-rahm (Irã)
Mena tanda wena (África - Zulu)
Mi amasvin (Esperanto)
Miluji te (Tchecoslováquia)
Mina rakastan sinua (Finlândia)
Mujhe tumse muhabbat hai (Paquistão)
Ngo oi Ney (China)
Obicham te (Bulgária)
Qanta munani (Bolivia)
Sakam te (Macedônia)
Saya cinta padamu (Indonésia)
S'ayapo (Grécia)
Seni seviyorum (Turquia)
Szeretlek (Hungria)
Taim i' ngra leat (Irlanda)
Tangsinul sarang ha yo (Coréia)
Tave myliu (Lituânia)
Techihhila (EUA - Índios Sioux)
Te dua (Albânia)
T'estim (Catalunha - Espanha)
Tora dost daram (Pérsia)
Tye-mela'ne (África - Quênia)
Ua here vau ia Oe (Taiti)
Volim te (Croácia)
Ya tebya liubliu (Rússia)
Ya te volim (Iuguslávia)
Yeu anh (Vietnã)
Eu te amo (Brasil)

CANÇÃO NA PLENITUDE – Lya Luft
Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)
O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
e busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.

OLHAR QUE ADIVINHA - Artur da Távola
De todas as adivinhações do amor nenhuma é mais funda que a dos olhares que se atam e parecem não poder desprender. Namorados assim o fazem, paqueras, aranhas, serpentes, aves, répteis, mamíferos, amantes, amigos, esposos. O olhar aprisiona-se no mistério do outro. E fala de encontros não verbais, essenciais. Economiza tempo. Avança ou retrocede milênios na adivinhação do próximo.
O que será, este olhar? Susto? Sustar é paralisar. Há uma paralisia quando o amor é pressentido. Susto mas adivinhação. Adivinhação mas procura. No olhar de quem se adivinha amando, paralelo à felicidade transmite-se procura, indagação, ânsia de descobrir que se veio ao mundo para resgatar as incompletudes daqueles com quem se relacionará profundamente, se os encontrar e souber que encontrou .
Procura mas encontro. No olhar que se cruza e paralisa cheio de significações encontra-se a instância deslumbrante na qual o ser se descobre aceito, querido e perdoado.
Encontro mas impossibilidade. Tudo o que vai sendo proibido, velado, guardado, adiado, faz-se verdade no momento da hipnose do olhar que se atrai sem explicação.
Impossibilidade mas permissão. As barreiras, medos, a polidez, recatos, as resistências que surgirão (reação que não se explica mas se tem) deixam de existir no instante do olhar que devasse a verdade funda. A entrega pré/sentida.
Permissão mas mergulho na sombra. O demônio que mora dentro, a criança, o anjo, o pecado, o perdão, a esperança, todos os mecanismos secretos, guardados, não sabidos, raro assumidos, jazem fugidios e perceptíveis no olhar que se defronta.
Não me refiro ao olhar apaixonado. Falo de algo além, o olhar que paralisa o outro. Que se apavora de adivinhar-se, possivelmente feliz, e se descobre em profundidade e espanto no poço do outro, no fundo do qual mora uma certeza nunca antes confirmada. Nada o detém, limita ou qualifica. Contém a pluralidade constitutiva da vida. Explode na hora do amor ou no instante da morte. Seus compromissos são com o fundo, o longe, o eterno, o imponderável, o denso, o lindo, a paz, a tragédia ou a glória. Sua relação é com as certezas que a razão nunca terá, mas a emoção, a intuição e o sentimento (que vão além), de há muito as conhecem. Este olhar existe quando e onde sempre existiu. E existirá, a despeito de nós.

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