
Onde está voce,
no espelho dos meus olhos?
Suas faces, histórias,
nos túneis do meu coração?
Mentiras, verdades de voce em mim
aonde estão?
Na imagem derretida pelo calor do desejo
que destrói e pede perdão?
Onde estou eu,
no fundo do seu poço?
Minhas caras, mitos,
em algum atalho esquecido?
Verdades, mentiras de mim em voce,
aonde estão?
no eco perdido no abismo
que há entre nós?
Buracos negros, ninfas, titãs
que guardamos em nossos baús de velharias,
qual de nós pode ver
nos gestos desordenados e olhares perdidos?
O sonho de comunhão
que transcende nossa finitude,
onde está?
Onde está voce,
que agora bebe comigo nessa mesa de bar
e não me reconhece
no espelho dos seus olhos?

Lya Luft
Se te pareço ausente, não creias:
hora a hora minha dor agarra-se aos teus braços,
hora a hora meu desejo revolve teus escombros,
e escorrem dos meus olhos mais promessas.
Não acredites nesse breve sono;
não dês valor maior ao meu silêncio;
e se leres recados numa folha branca,
Não creias também: é preciso encostar
teus lábios nos meus lábios para ouvir.
Nem acredites se pensas que te falo:
palavras
são meu jeito mais secreto de calar.

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